Narrativas Visuais e Visibilidade: HQ de Uli Tietboehl Traduz Vivências Intersexo em Linguagem Acessível

1 de outubro de 2026 | Sem categoria | por Talita

Apresentado no I Congresso Brasileiro de Intersexualidade, o projeto une design visual, jornalismo em quadrinhos e escuta sensível para enfrentar a desinformação e combater a invisibilidade histórica das pessoas intersexo.

A informação clara e humanizada é uma das ferramentas mais potentes na desconstrução de tabus. Com essa premissa, a pesquisa de Uli Tietboehl desenvolveu o projeto “Narrativa visual em quadrinhos: vivências intersexo”, uma história em quadrinhos (HQ) de não-ficção concebida para aproximar o público em geral da realidade vivida pela comunidade intersexo.

O trabalho foi destaque no I Congresso Brasileiro de Intersexualidade, espaço central de convergência entre pesquisa científica, ativismo, direitos humanos e produções culturais no país.

Por que contar histórias reais em quadrinhos?

Pautas que envolvem a intersexualidade ainda enfrentam barreiras severas de incompreensão, patologização e silenciamento na sociedade. A escolha pela não-ficção gráfica decorre do fato de que narrativas visuais diretas criam pontes imediatas de identificação: elas conseguem traduzir dados médicos e conceitos complexos em linguagem empática e acessível, sem perder o rigor ético e factual.

O projeto partiu de um problema central de pesquisa: como o design visual pode contribuir ativamente para a divulgação científica e a ampliação da visibilidade das pessoas intersexo?

Para responder a essa questão, a metodologia combinou:

  • Escuta e pesquisa: Realização de entrevistas em profundidade com especialistas e pessoas com vivência intersexo, assegurando que o protagonismo da experiência vivida guiasse o roteiro.
  • Comunicação acessível: Tradução de termos e relatos em ilustrações sequenciais que facilitam o entendimento por públicos de diferentes formações.
  • Validação qualitativa: Teste de recepção com um painel formado por três leitoras do público-alvo (duas mulheres cisgênero e uma mulher transgênero, todas endossexo, atuantes em diferentes áreas profissionais), avaliando o nível de clareza, impacto e sensibilidade da obra.

O papel do design na luta por direitos e cidadania

Obras como a de Uli Tietboehl mostram que a comunicação visual não é apenas estética, mas um instrumento político e educacional. Ao romper o isolamento de terminologias restritas aos consultórios médicos e aos artigos acadêmicos, a HQ devolve a humanidade às trajetórias reais, combatendo o estigma e a desinformação desde a base.

A ABRAI reforça a importância de iniciativas que utilizam a arte, o design e o relato documental para educar a sociedade e fortalecer a cultura do respeito à diversidade corporal e à autodeterminação.

Onde ler a HQ

A obra completa está disponível para leitura online e download gratuito. Acesse pelo link abaixo:

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