Sede da ABRAI sofre sucessivas invasões e intimidações em São José do Rio Preto; entidade mobiliza campanha de apoio e segurança
Imagens do Ocorrido
Por Diretoria da ABRAI
NOTA OFICIAL E REPORTAGEM
Organização registrou Boletins de Ocorrência por furto, depredação e ameaça. Além de prejuízos materiais e subtração de dados sensíveis de pessoas atendidas, violação de símbolos e atos intimidatórios levantam alerta para possível crime de ódio.
A sede da Associação Brasileira Intersexo (ABRAI), localizada em São José do Rio Preto (SP), foi alvo de uma grave sequência de invasões, depredações, furtos e atos de intimidação ao longo deste mês de setembro. Os episódios foram registrados junto à Polícia Civil e estão sendo apurados pelas autoridades com natureza de furto e ameaça.
A primeira ocorrência foi constatada no dia 13 de setembro, quando a equipe da instituição encontrou a cerca elétrica rompida, portas arrombadas, armários revirados e diversos cômodos danificados. Do local, foram levados itens como televisor de 43 polegadas, torneiras, roupas, calçados e produtos do brechó beneficente. Livros do sebo mantido pela entidade foram deliberadamente molhados e destruídos. Em um ato de clara profanação, bandeiras LGBT e trans foram encontradas encharcadas com urina — circunstância que levou a ABRAI a solicitar a apuração rigorosa de possível motivação LGBTfóbica ou crime de ódio.
Reincidência e subtração de dados sensíveis
A violência, contudo, não cessou no primeiro episódio. Em uma das ocasiões seguintes, ao retornar ao imóvel acompanhada de profissionais de segurança privada para iniciar a vigilância noturna, a representante da entidade flagrou três indivíduos no interior do imóvel. A Polícia Militar foi acionada e, embora os suspeitos tenham fugido durante a chegada das viaturas, o registro policial aponta que um dos envolvidos foi posteriormente detido. Em outra ação criminosa, pessoas foram vistas retirando um aparelho de ar-condicionado da estrutura.
Entre os prejuízos de maior gravidade está a subtração de dois HDs externos contendo prontuários e históricos de atendimento de crianças, idosos e famílias acompanhadas pela associação, além de eletrodomésticos essenciais para as atividades cotidianas, como forno micro-ondas e brinquedos de acolhimento (carrinho elétrico).
Intimidações e ambiente de hostilidade
Além das invasões, a entidade registrou formalmente condutas intimidadoras no entorno da sede. Indivíduos em bicicletas motorizadas passaram a circular repetidamente em frente ao local realizando acelerações ruidosas, manobras bruscas e gestos obscenos em direção ao imóvel. Registros em vídeo foram anexados para subsidiar a investigação policial.
Para a ABRAI, a reincidência, a violação intencional de símbolos de direitos humanos e a postura provocativa geram forte preocupação de que os fatos ultrapassem a esfera do crime patrimonial comum, demandando investigação sobre possível retaliação à atuação da entidade na defesa dos direitos da população intersexo.
Fortalecimento da segurança e continuidade do acolhimento
Referência nacional, a sede da ABRAI foi construída para acolher, orientar e prestar suporte integral a pessoas nascidas com variações nas características sexuais (intersexo/DDS), pessoas com doenças raras e seus familiares.
Para proteger os colaboradores e o público atendido, a associação implementou um plano emergencial: religou cercas, instalou alarmes monitorados e contratou vigilância particular ininterrupta — gerando custos imprevistos que pressionam severamente o orçamento da organização. A diretoria já iniciou interlocuções com fundos e redes parceiras, nacionais e internacionais, para estruturar protocolos permanentes de proteção institucional.
“Não estamos falando apenas de recuperar objetos ou consertar portas. Precisamos garantir segurança para continuar acolhendo pessoas intersexo e suas famílias. Depois de sucessivas invasões e intimidações, precisamos de apoio para reorganizar o espaço, fortalecer nossa segurança e garantir a continuidade do trabalho da ABRAI”, enfatiza a presidenta da ABRAI, Profa. Dra. Thais Emília.
Como ajudar: Campanha SOS Sede ABRAI
Para cobrir os custos imediatos com reparos estruturais, reposição de equipamentos furtados e manutenção dos contratos emergenciais de segurança, a ABRAI convoca a solidariedade da sociedade civil, movimentos sociais, coletivos e defensores dos direitos humanos.
Qualquer contribuição financeira é fundamental para restabelecer um ambiente seguro de acolhimento:
- Chave Pix (CNPJ):
37.408.495/0001-00 - Favorecido: Associação Brasileira Intersexo (ABRAI)
A instituição reafirma seu compromisso inegociável com a dignidade, os direitos humanos e a integridade de todas as pessoas intersexo e suas famílias.
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