Cronologia Intersexo: Avanços, Conquistas e Desafios ao Longo das Décadas
6 de março de 2024 | Cronologia Intersexo | por ABRAI
mão humana pintada de amarelo com circulo roxo
- Século 20:
1930s-1950s: Surgimento de abordagens médicas para tratamento de pessoas intersexo.
1950s-1970s: Crescimento da conscientização médica sobre variações intersexuais.
- Década de 1970-1980:
1978: Surgimento do primeiro grupo do movimento LGBTQIA+ no Brasil, o Somos: Grupo de Afirmação Homossexual, fundado no Rio de Janeiro.
1980: Realização do Primeiro Encontro Brasileiro de Homossexuais em 13 de junho, nas escadarias do Theatro Municipal, no centro de São Paulo.
- Década de 1990:
1990: A Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de classificar a homossexualidade como uma patologia, atendendo reivindicações feitas por anos pelo movimento LGBT+.
1990: A sigla inicial do movimento LGBTQIA+, GLS, que englobava gays, lésbicas e simpatizantes, ganhou força. Isso representou um passo importante para a conscientização e a representação das pessoas intersexo na sociedade.
Final da década de 1990: Movimentos como a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) começaram a trabalhar para sensibilizar a sociedade, pressionar por políticas inclusivas e apoiar as vítimas de violência e discriminação.
- Anos 2000:
2003: Fundação da Organização Intersex International (OII), pioneira no ativismo intersexo.
2003: O Dia Internacional da Visibilidade Intersexo foi institucionalizado. A data, 26 de outubro, foi escolhida em alusão à primeira manifestação pública de pessoas intersexo, que ocorreu nesse dia, em 1996, na cidade de Boston, nos Estados Unidos, durante uma Conferência da Academia Americana de Pediatria.
2006: Conferência de Consenso de Chicago sobre a gestão de distúrbios do desenvolvimento sexual. (Esta conferência recomendou o uso da nomenclatura “Disorders of Sex Development” (DSD) em vez da antiga classificação dos “Estados Intersexuais”).
- Anos 2010:
2011: Primeiro relatório global das Nações Unidas sobre os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) foi divulgado em 15 de dezembro.
2011: Reconhecimento da união estável e do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a aprovação da Resolução 175/2013 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que proíbe cartórios de se recusarem a celebrar casamentos homoafetivos.
2015: Em abril de 20215, Malta se torna o primeiro país a proibir cirurgias médicas não consensuais em crianças intersexo.
2016: Em 1º de março de 2016, o Chile implementou uma proibição de cirurgias de “normalização” em bebês intersexo.
2018: Em 6 de abril de 2018, Portugal anunciou a proibição de cirurgias em bebês intersexo.
- Anos 2020:
2020: A ONU promoveu uma reunião técnica sobre intersexo com profissionais da área médica e destacou que a Declaração pede o fim de práticas mutiladoras e normalizadoras, como cirurgias genitais, tratamentos psicológicos e outros tratamentos médicos, e da esterilização não-consensual de pessoas intersexo.
2021: Vários países revisam políticas em relação a cirurgias intersexuais não consensuais.
2021: Em março de 2021, a Alemanha aprovou uma legislação proibindo cirurgias em bebês intersexo.
2021: No início de agosto de 2021, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) do Brasil autorizou que crianças intersexos, que nascem sem o sexo definido como masculino ou feminino, sejam registradas com o sexo “ignorado” na certidão de nascimento1. A mudança passou a valer em todo o Brasil a partir do dia 12 de setembro de 2021.
2022: Conselho Federal de Psicologia (CFP) do Brasil publicou uma resolução em 17 de maio de 2022 que estabelece regras de atuação para profissionais da Psicologia em relação às bissexualidades e demais orientações não-monossexuais. Esta resolução orienta os profissionais a considerarem a autodeterminação de cada sujeito em relação à sua orientação sexual e identidade de gênero, reconhecendo as intersecções entre território, raça, etnia, classe, geração, deficiências, identidades e expressões de gênero como marcadores sociais de diferenças, entre outras diretrizes.
2022: O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo junto à ABRAI publicam a Nota Técnica e Orientativa do CRP SP: a atuação profissional de psicólogas/os no atendimento da pessoa Intersexo. Esta nota se dá por uma articulação entre a Conselheira do CRP SP Talita Fabiano de Carvalho e a presidente da ABRAI Thais Emilia de Campos dos Santos. O documento se torna um marco histório sendo o primeiro no mundo de uma categoria profissional em defesa das pessoas intersexo.
2023: 06 de julho de 2023: Propostas para o fim das cirurgias em bebês intersexuais foram aprovadas na Conferência Nacional de Saúde.
2023: É sancionado o dia de Conscientização contra a Mutilação genital infantil na data de 26 de setembro, nascimento do bebê Jacob. E Protocolado como Dia Nacional contra a Mutilação genital Infantil pela deputada Duda Salabert.
2024: Céu Albuquerque conquista a primeira retificação de nome e sexo, de feminino para intersexo, na certidão de nascimento no Brasil. O processo teve início em julho de 2021 na 2ª Vara da Família e Registro Civil da Comarca de Olinda, por meio da atuação da Defensoria Pública e do advogado e defensor público Henrique da Fonte, sendo concluído no mês de fevereiro.
2024: Em maio de 2024, na Assembléia de Políticas, Finanças e Administração _ APAF do Sistema COnselhos de Psicologia, pela propositura da então Presidente do CRP SP Talita Fabiano de Carvalho, é aprovada a Minuta da Resolução que Estabelece normas de atuação para a categoria profissional em relação às pessoas intersexo, publicada em 30 de agosto de 2024, como Resolução CFP, n. 16/2024.
2025: O Projeto de Lei 1.318/2025, que institui o Estatuto Federal da Pessoa Intersexo – Lei Jacob Cristopher, foi construído em coautoria entre a deputada Duda Salabert (PDT/MG) e a Associação Brasileira Intersexo (ABRAI), com a colaboração direta de Thais Emilia, Walter Mastelaro, Dionne Freitas, Rachel Rocha, Leandro Cunha, Moni Porto, Dra. Mila, João de Deus, Patrícia (GAMT), Gustavo e Ricardo integrantes do Grupo Klinefelter, entre outras pessoas e coletivos comprometidos com a defesa da dignidade humana, da justiça e da diversidade corporal.
2026: A Resolução CFM n° 2.455/2026 é a norma atual que regulamenta a avaliação e o tratamento médico de pessoas com variações do desenvolvimento gonadal, cromossômico ou anatômico (intersexo). A regra, de caráter estritamente médico, orienta o diagnóstico, acompanhamento e decisões terapêuticas para essas condições. De acordo com análises técnico-políticas a resolução falha em pontos cruciais: Risco de mutilação: Muitas dessas cirurgias resultam em perda de sensibilidade, complicações urinárias e traumas psicológicos profundos que acompanham o indivíduo por toda a vida; Patologização da diversidade: Trata variações naturais do corpo humano como “doenças” que precisam ser “corrigidas” cirurgicamente; Falta de consentimento informado: A decisão cabe inteiramente aos médicos e pais, ignorando o direito da pessoa intersexo de decidir sobre seu próprio corpo no futuro.
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